quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Tudo tudo tudo passa



" Tudo passa. Dor de dente passa. Enxaqueca passa. Torcicolo, braço quebrado, pedras nos rins passam. Até dor de cotovelo. Um dia… vai e passa.
Sofrimento passa. Dúvida passa. Dor, aperto no peito, vontade de pular da ponte. Medo, incerteza, melancolia, tristeza. Passam.
Solidão? Essa eu não sei se passa. É mais complicado. Solidão pode ser tanta coisa.
Saudade passa? Saudade é o tempo perdido. Tempo espremido entre dedos. Tempo espremido entre vontades: a de ir e a de ficar. Quanto se mais espreme, mais ele vira passado. Enquanto houver um coração, ainda que pleno, haverá saudade. Saudade não passa.
O amor? Eu não acho que passa. O amor se transforma. Muda com a suavidade de uma colherada de açucar que, caindo na água, se transmuta, transformando aquilo que tocou. O Amor é generoso, não morre de inanição. Sempre dá mais do que recebe e há sempre mais a dar. Amor de verdade não passa.
Das coisas que passam, o que mais passa é o Tempo. Não só passa como também leva sempre algo consigo. Um pouco do viço da pele, da firmeza dos músculos, do brilho dos olhos. Um pouco da inocência, da capacidade de entrega, da ilusão de que o bem sempre vence.
Mas se o Amor é generoso, o Tempo consegue ser mais ainda. Deixa sempre algo no lugar daquilo que levou. O Tempo traz paciência e força pra aguentar até que tudo mais faça como ele próprio: passe.
Se estou entregue ao Tempo, estou em boa companhia. Afinal, até a gente mesmo um dia vai passar."

Nenhum comentário:

Postar um comentário